segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

I'm not good at saying things

"If only I had an enemy bigger than my apathy I could have won."

Não venho, hoje, falar sobre nada. Contar histórias que de vez em quando aparecem na minha mente, ou falar sobre sentimentos que eu nunca tenho total certeza se existem de fato.
Hoje, eu venho só escrever. Tirar palavras de mim. Falar sobre o Sol que nunca vem e, quando vem, não fica. Também não vou falar sobre o que fiz, sobre o que achou. Não quero me importar. Não preciso.
Poderia citar o talento de tantos, que sempre parece - isso porque é mesmo - muito maior do que o meu. O meu que é ralo. O meu que é nulo. O meu que não está mais aqui.
Poderia chorar por todas as vidas que não vivo porque sou impossibilitada. Porque sou condenada a ser quem eu sou, por mais que eu possa ser tudo e qualquer coisa. Ainda que não possa realmente.
A chuva me cansa, o acordar, mais ainda. E eu não quero fazer sentido simplesmente porque não preciso.
Acho que, no final das contas, não preciso de nada. Por algum motivo, os grande navios portugueses apareceram na minha mente agora. Suas velas, o vento, o mar.
O início de um futuro pouco vantajoso para quem já estava aqui antes de tudo.
Eu tô tentando tanto, sabe. Ser tudo isso. Tudo que eu preciso ser, pelo menos por enquanto. Não me vejo com ninguém que não seja eu mesma, e as minhas certezas são as mesmas de tempos atrás.
Não quero pensar sobre isso, não quero pensar sobre nada. Quero deitar na cama, fechar meu olhos, imaginar a vida que me foi prometida, a única que me cabe.
Não me vejo em lugar nenhum, com ninguém, nada ao redor.
Gosto de estar sozinha porque me sinto livre. É difícil compreender as necessidades alheias, os sentimentos. É complicado lidar com isso tudo afogada em medo e em um passado que não me esquece.
Acho que andei em círculos. Que estou andando. Que sempre vou andar.
I'm not good. E me desculpo desde já.
Maybe I've seen too many movies, you know...

domingo, 27 de novembro de 2011

Justamente

É mais especial quando uma pessoa sorri, se ela não sorri com tanta frequência. É mais especial quando uma pessoa canta, se ela não canta com tanta frequência. É mais especial quando chove, se fica meses sem chover.
Começar planejando o fim é... é o que? A melhor técnica que eu poderia bolar. Funciona. Mas sinto que estou traindo o tempo, as decisões, o curso das coisas.
Não sei de nada disso, não sei lidar, não sei o que fazer. Quando estou, gosto. Quando não estou, ainda gosto. Mas crítica me vem na mente, e problemas me vem na mente, e defeitos me vem na mente, e opções...
E se eu disser que você é o primeiro que consigo tolerar? Ficar com? Olhar para?
E se eu disser que isso é absurdo. Que é assustador. Que eu não consigo. Que me mata.
"Preciso ir além dos dias. Preciso ir além. Me esforçar um pouco mais."
Mas sinto uma certeza confusa. Mas isso não faz mais sentido.
Eu escrevi isso pra ver se eu conseguia tirar algo de mim. Mas ainda não tem nada pra ser retirado.

Mas não vou desistir de mim.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

De pernas e costas doendo

Escrevi muito na minha cabeça, enquanto te observava. Agora tudo fugiu. É complicado, essa coisa de enxurrada de ideias. Acho que foi o efeito da sua mão quente na minha mão fria. Eu sempre tô gelada, sempre tô com frio. Não sei o que é, e não me interessa. É bom. Talvez você não seja assim tão quente, mas é o que eu sinto. E eu gosto. Não é como flutuar, ou tocar nas nuvens. Não é nada muito romantizado, Romeu e Julieta. É real. É só coração tranquilo. Estar onde se deve estar. Como se deve estar. Com quem se deve estar. E perceber isso. E aceitar isso. E saber que aquilo é pra você, e que você merece.
Ninguém precisa salvar ninguém dessa vez. Estamos no mesmo barco, indo, talvez, pra lugar nenhum.
Mas vamos juntos.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

02:02, horário de Brasília

Vê-lo era sempre uma experiência nova. Talvez porque ele sempre estava mudado, talvez porque ela sempre estava diferente, mas era interessante. Cumprimentos curtos. Ele costumava beijá-la de verdade ao dizer "Olá". Não aquele encostar de bochechas de quem sente medo e/ou asco do outro. Era um beijo. Seco, forte. Se perguntava se fazia isso com todas. Trocavam algumas palavras, risadas, e então ela fugia por não aguentar a pressão. Ou não estar acostumada com ela.
Naquela cidade de arquitetura arrojada, isso tudo parecia fazer muito pouco sentido. Pessoas sentavam e bebiam ao redor dos espelhos d'água, enquanto as carpas nadavam e nadavam e nadavam. Umas procuravam as outras, algumas algumas coisas. Se encontravam tão juntas e tão distantes, como costuma dizer o velho clichê. Era como estudar em um biblioteca. Todos muito curiosos, mas pouco interessados, se é que isso é possível. É difícil lembrar se o amor no local era palpável, se era inexistente, se vinha todo dela
Todo grande altar é uma grande construção. Muralhas da China, Pirâmides do Egito. Só aparecem, ninguém sabe muito bem como, quando. E nunca se vão por completo, sempre se descobre algo novo sobre.
Amores platônicos tem sete vidas, e não reconhecem indecisão, indiscrição, nem indiferença.

sábado, 8 de outubro de 2011

11:09

Os segundos se tornaram dias, que se arrastaram em séculos. Aquela jaqueta estava linda em você, e seu sorriso combinava perfeitamente com seus cabelos, que se apresentavam tão adoravelmente negros, bem na minha frente. Minhas mãos e pernas tremiam, enquanto você falava sobre gravatas. Me confundia, me repetia. Tropeçava no que ainda não entendo. Você por aqui, você em mim! Não sabia como lidar e fui embora. Queria ficar. Te olhar por mais alguns segundos que novamente se arrastariam em séculos.
É doce morrer de amor.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Nobre

O sofrimento me formou. Me fez quem eu sou. Me fez o que eu sou. As características boas. As ruins também. A amargura, foi ele. A compaixão, foi ele. A desconfiança, foi ele. O respeito pelos sentimentos alheios, também.

Ninguém se conhece se verdade, muito menos conhece os outros. Então com que direito julgamos? Como podemos desmerecer os sentimentos de alguém que não sabemos quem é, como se sente? Cada um tem direito a uma opinião, assim como cada um tem direito ao sentimento, qualquer que seja. Admiro a felicidade, quando real, das pessoas. Acho intrigante como conseguem senti-la no mundo em que vivemos. De quem é a culpa não importa. Que seja da mídia, da sociedade, de nós mesmos, do cachorro da vizinha... Mas considero muito mais bem aventurados aqueles que conseguem continuar vivendo apesar de. Apesar do time que perdeu. Apesar da fome que bateu. Apesar da conta que chegou. Apesar do tempo que passou. Apesar do amor que já morreu. Apesar dos outros. Não são felizes, e não fingem felicidade, nem negam o sofrimento. Aceitam, reclamam. São humanos e agem como tal. Não julgam os sofrimentos dos outros porque conhecem as dores próprias, e sabem como é, e sabem como dói, mas vivem. E andam. E respeitam.

Talvez colocar o sofrimento em um altar seja errado. Provavelmente é. Não acho que seja mais errado do que fingir que a felicidade mora vizinha, e é que é fácil, e que é constante. A felicidade não ensina nada pra ninguém. Tem o charme das mulheres bonitas que enjoam fácil das pessoas e não tem pena de abandoná-las. O sofrimento ensina. O sofrimento mostra. O sofrimento tira todas as nossas vendas. O sofrimento não quer que você seja egoísta. Ele procura por compaixão e respeito e compreensão. Ele mostra que se pode viver a partir de. Ele dá as melhores características que uma pessoa pode ter, desde que ela saiba lidar com ele, e vê-lo da forma correta. E aprender.

Eu nunca quis te responder a altura.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

"I no longer wish to understand"